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Racismo Ambiental: quando o território também é uma questão de pele

A

luta das mulheres negras e comunidades tradicionais pelo direito de existir com dignidade em seus territórios.

Assinado por: AfroLab°Rural

Publicado em: 06 de agosto de 2025

Fonte principal: Relatório "Racismo Ambiental no Brasil – FASE/Justiça nos Trilhos, 2023"

Você já parou pra pensar que o lugar onde a gente mora, planta, vive e cria nossos filhos também carrega marcas da desigualdade racial?


Essa desigualdade tem nome: racismo ambiental.


O termo nasceu nos Estados Unidos nos anos 1980, mas descreve muito do que acontece no Brasil há séculos. É quando comunidades negras, indígenas, quilombolas e periféricas são as mais afetadas por poluição, desmatamento, falta de saneamento, contaminação da água, ausência de políticas públicas ambientais, grandes obras sem consulta e também pelo avanço da mineração e do agronegócio sobre seus territórios.


O que isso tem a ver com a mulher negra rural?

Tudo. Porque quando a terra é envenenada, é a comida da casa da trabalhadora rural que sofre .Quando a água seca, é ela quem precisa caminhar mais longe pra buscar. Quando a comunidade é expulsa, é ela quem perde seu quintal, seu sustento e sua memória ancestral.

É também a mulher negra quem menos tem acesso à posse da terra, ao crédito rural, à assistência técnica e às decisões políticas sobre o campo. Mesmo assim, são elas que seguram a produção de base agroecológica e o cuidado com a natureza, dia após dia.


O racismo ambiental é silencioso — mas a nossa resposta não precisa ser.

Na contramão dessa injustiça, surgem iniciativas de resistência como hortas comunitárias, viveiros de mudas, bancos de sementes crioulas, quintais produtivos e redes de proteção dos territórios tradicionais. São tecnologias sociais negras que reafirmam: nossos corpos, nossas terras, nossas águas e nossos saberes têm valor.


O que o AfroLab°Rural tem feito?

Estamos formando mulheres negras rurais em práticas técnicas de cultivo e também em consciência crítica sobre o território, o direito à terra, à natureza e à autonomia. Entendemos que cuidar da terra é também um ato político, pedagógico e de proteção da vida.


E por isso, afirmamos:

O racismo ambiental existe.

Mas também existe resistência ancestral e coletiva para enfrentá-lo.

Fonte principal: Racismo Ambiental no Brasil – FASE, Justiça nos Trilhos, 2023


Leituras complementares:

  • “Geografia do racismo ambiental” – Carlos Walter Porto-Gonçalves

  • Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil – Fiocruz

  • Artigo: “Racismo Ambiental: a segregação ambiental no Brasil” – Revista Nexo

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