Segurança alimentar: quem põe comida no prato do Brasil?
- afrolabrural
- 6 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Terra e comida: justiça fundiária e segurança alimentar como caminhos para a vida digna
A fome tem cor, gênero e endereço — e a resposta está nas mãos das mulheres negras que alimentam a nação.
Assinado por: AfroLab°Rural
Publicado em: 06 de agosto de 2025Fonte principal: II VIGISAN (2023) / Rede PENSSAN
Quando a gente fala em segurança alimentar, pode parecer um assunto técnico, de conferência ou de gabinete .Mas a verdade é que segurança alimentar é uma pergunta simples, direta, que ecoa nas cozinhas de todo o país:
Vai ter comida hoje?
E amanhã?
De onde vem?
Vai dar pra todo mundo?
O retrato da fome no Brasil em 2023 (dados da Rede PENSSAN)
33 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar grave no Brasil (passam fome)
Mais da metade da população negra enfrenta algum nível de insegurança alimentar
As mulheres negras são as mais afetadas: elas passam fome e alimentam quem está ao redor
E não por acaso, são as mulheres negras rurais que sustentam uma parte importante da alimentação do Brasil — mesmo sem visibilidade, sem terra em seus nomes, sem crédito e sem apoio técnico.
A segurança alimentar nasce do território
Quando falamos em garantir comida saudável e acessível pra todes, não dá pra ignorar quem produz. E quem produz a maior parte dos alimentos que chegam frescos na nossa mesa não são as grandes empresas, mas a agricultura familiar, feita com a mão calejada da mulher negra rural.
Mas como garantir segurança alimentar se:
Essas mulheres não têm direito à terra?
Falta água de qualidade pra irrigar?
O agrotóxico contamina o que nasce no roçado vizinho?
O transporte ou as estradas pra escoar a produção é precário?
O saber que sustenta tudo isso é invisibilizado?
Não que essas perguntas sejam direcionadas apenas ao nosso território, mas a todos os demais territórios no Brasil, o problema é muito maior do que parece.
A fome não é só ausência de comida — é ausência de justiça
A fome no Brasil não é acidente. Ela é parte de um sistema que exclui, envenena e lucra com a miséria. Por isso, falar de segurança alimentar é falar de:
Direito à terra
Direito ao cultivo limpo
Direito à cultura alimentar do território
Direito à autonomia sobre o que se planta, colhe e come
O que temos visto nas rodas do AfroLab°Rural?
Não temos soluções prontas. Mas temos testemunhado:
Quintais produtivos alimentando famílias inteiras
Mulheres organizando feiras, trocas, vendas e doações
Saberes sendo compartilhados em rodas de conversa
Resistência brotando mesmo em solos áridos
Porque comida, pra nós, não é só sustento — é cuidado, é memória, é afeto. E nenhuma política pública será eficaz se não escutar quem faz o feijão chegar na panela.
Fonte principal: II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia – Rede PENSSAN, 2023
Leituras complementares:
Dossiê “Fome e Racismo” – FIAN Brasil
Livro: “Geopolítica da Fome” – Josué de Castro
Cartilha: “Alimentação saudável é um direito!” – Instituto Polis















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